Às vezes soa esquisito ou mesmo ingrato, confesso, ter de apontar tão-somente os defeitos da "pátria amada" que nos criou e nos deixa ainda viver. Confesso que tento aprimorar os bons olhos de minha alma para não ver a queda vertiginosa que a cultura brasileira vem sofrendo nos últimos anos, sem uma música ou uma literatura que prestem, sem qualquer indício de uma casta pensante lúcida e uma plêiade de artistas bem dotados quer do mais vasto trato com o popular, quer do mais elevado diálogo com a transcendência. Todo aquele que tem um mínimo conhecimento das sociedades humanas sabe que nenhuma cultura pode chegar a sobreviver sem tais indivíduos, e não seria de todo impróprio dizer que em um futuro próximo, a continuar o atual estado de coisas, a vida brasileira se tornará tão infrutífera como são os desertos. E a imagem talvez renda seus frutos: pois se nos desertos a fauna e flora precisam se adaptar a fim de poderem suportar os escassos recursos, também nós por aqui precisamos nos adaptar, se queremos preservar alguma sanidade. Em um lugar onde falta produtividade cultural, abundam as salivas animalescas dos famintos sem espírito.
Ou como mostrar a alma quando não se pode olhá-la no espelho, embora ela esteja ali, nos observando...
Por que estas pulsões ocêanicas?
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A poesia é a capacidade de condensar em belos versos a riqueza experiencial de nossas impressões. Ela é a mais elevada forma de arte literária - na verdade, literatura só é arte se participa intrinsecamente da poesia.
terça-feira, 22 de abril de 2014
Brasil, um país de...
Às vezes soa esquisito ou mesmo ingrato, confesso, ter de apontar tão-somente os defeitos da "pátria amada" que nos criou e nos deixa ainda viver. Confesso que tento aprimorar os bons olhos de minha alma para não ver a queda vertiginosa que a cultura brasileira vem sofrendo nos últimos anos, sem uma música ou uma literatura que prestem, sem qualquer indício de uma casta pensante lúcida e uma plêiade de artistas bem dotados quer do mais vasto trato com o popular, quer do mais elevado diálogo com a transcendência. Todo aquele que tem um mínimo conhecimento das sociedades humanas sabe que nenhuma cultura pode chegar a sobreviver sem tais indivíduos, e não seria de todo impróprio dizer que em um futuro próximo, a continuar o atual estado de coisas, a vida brasileira se tornará tão infrutífera como são os desertos. E a imagem talvez renda seus frutos: pois se nos desertos a fauna e flora precisam se adaptar a fim de poderem suportar os escassos recursos, também nós por aqui precisamos nos adaptar, se queremos preservar alguma sanidade. Em um lugar onde falta produtividade cultural, abundam as salivas animalescas dos famintos sem espírito.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Batman, Sheherazade e companhia
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
E por aqui, nada de novo...
O que se vê, porém, em terras brasileiras é uma caricatura de tudo o que há de mais elevado na cultura humana, uma impenitente caricatura das grandes personalidades e das grandes ideias! E não é mesmo uma caricatura grosseira, mais ainda, uma caricatura terrível de Gaga o que essa moça resolveu fazer aqui? Mas como é próprio ao caricato ser irônico de algum modo, cubro-me também de ironia para dizer o quanto esse vídeo me fascinou: que admirável a construção do cenário e dos figurinos, que harmonia graciosa essa donzela popozuda conseguiu imprimir para fazer dialogar música, letra e ambientação, quanta criatividade na escolha dos seus parceiros de dança, dos passos que acompanham a música, da poesia aludida por cada verso cantado com uma voz de fazer inveja às mais brilhantes sopranos da música universal! É realmente admirável ver a capacidade que temos de por aqui nos deixar levar por uma excelência tão incomum aos nossos olhos como essa com a qual a srta. Valesca nos presenteia. Se o grotesco de Gaga é fazer ver o que nossa civilização excluiu, é imensamente mais grotesco quando a caricatura mais baixa possível do que há de mais baixo na civilização resolve dar ares de uma grande coisa. Nada mais digno de se recusar a ver.
sábado, 2 de novembro de 2013
Comédia da vida privada...
Respeitável público, bem vindo ao show de bizarrices que só o Brasil poderia produzir em um só espaço! Por aqui, artistas militantes contra a censura, anos atrás, agora abrem as portas para o controle de informação sobre as suas lindas e intocadas biografias; os nossos encarecidos políticos oferecem, como resposta ao apelo popular pelas ruas do país, uma mini-reforma política que, e isso não é ironia, proíbe os birutas e outras tantas parafernálias em época de campanha, mas nada falam sobre o que realmente importa. E como se já não bastasse, temos obras para a copa e as olimpíadas sendo feitas às pressas e custando ainda mais do que já custavam - afinal, por aqui sobra dinheiro para trazer médicos de outros países, para sustentar uma boa base política por meio de mensalinhos e mensalões, para deixar de ser um comunista operário e tornar-se um digno e respeitado burguês comunista. Porque, convenhamos, abaixo da linha do Equador só interessa mesmo o dinheiro, seja aquele que um Chico ou um Caetano mendigam, voltando-se contra as biografias não autorizadas, seja aquele que incentiva a depredação e as arruaças como forma de "luta política". Se a comédia na antiguidade já havia mostrado que uma das formas mais eficazes de produzir o riso era realizar inversões de valores e de comportamentos, o exagerado das inversões no Brasil já está deixando o cômico para se tornar trágico.
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Um olho na tv, o outro no vizinho
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Sheherazade e as mil e uma noites - de funk!
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
sexta-feira, 11 de maio de 2012
sexta-feira, 6 de abril de 2012
O advento da ditadura secreta

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 28 de março de 2012
Escolados pelo precedente do Foro de São Paulo, cuja existência lhes foi ocultada durante dezesseis anos pela mídia soi disant respeitável, alguns leitores brasileiros talvez não se sintam tão espantados ao ver que o New York Times, o Washington Post, a CNN e demais organizações jornalísticas de maior prestígio nos EUA, mesmo depois do pito que levaram do Pravda, continuam sonegando ao público qualquer notícia sobre os documentos forjados de Barack Hussein Obama.
Nos dois casos, a recusa de cumprir a mais primária obrigação do jornalismo pode se explicar, de início, pela reação automática de ceticismo ante condutas que, de tão perversas, maliciosas e abjetas, parecem inverossímeis. Quem poderia acreditar, assim sem mais nem menos, que a esquerda, desmoralizada e aparentemente moribunda após a queda da URSS, estava preparando um retorno triunfal na América Latina por meio de um acordo secreto entre organizações legais e criminosas, planejado para controlar, pelas costas do eleitorado, a política de todo um continente? Quem poderia engolir, na primeira colherada, a hipótese de que um bandidinho com identidade falsa, subsidiado por bandidões, ludibriou a espécie humana praticamente inteira e, da noite para o dia, saiu do nada para se tornar presidente da nação mais poderosa do mundo? É mesmo difícil. Mas quando nem mesmo o acúmulo incessante de provas inquestionáveis demove do seu silêncio obstinado os profissionais que são pagos para falar, então é impossível evitar a suspeita de que o engodo geral não foi tramado só por políticos, mas também pelos donos de jornais, revistas e canais de TV, secundados pelo proletariado intelectual das redações.
No entanto, como qualquer pessoa com mais de quinze anos tem a obrigação de saber, não há nada que esteja tão ruim que não possa piorar. Depois de ocultar a maior fraude política de todos os tempos, a mídia americana passou a esconder até decretos oficiais do governo Obama, que assim são impostos a toda uma população desprovida do elementar direito de saber que eles existem. Os leitores mais velhos devem se lembrar de que a nossa ditadura militar inventou, um belo dia, um treco chamado “decreto secreto”, que entraria em vigor sem precisar ser publicado. Inventou-o mas, que eu saiba, não teve a cara-de-pau de chegar a usá-lo. Pois bem, graças às empresas de comunicações de Nova York e Washington, essa coisa, essa deformidade jurídica inigualável, está em pleno uso na mais velha e – até recentemente – mais estável democracia do mundo.
Quando o amor fanático da classe jornalística a um político se coloca descaradamente acima da Constituição, das leis, da segurança nacional e de todas as regras básicas da moralidade, não há como explicar isso pela mera preferência espontânea dos profissionais de imprensa, por mais obamistas que eles comprovadamente sejam. Alguns jornalistas chegaram a queixar-se ao chefe da Comissão Arpaio, Michael Zullo, de que haviam recebido ameaças diretas do governo para que nada publicassem das investigações. Artigos a respeito foram misteriosamente retirados até de sites conservadores como www.townhall.com, e uma entrevista marcada com Jerome Corsi, o incansável investigador da fraude documental, foi suspensa na Fox News por ordem explícita da diretoria. Com toda a evidência, o bloqueio vem de muito alto, envolvendo tanto funcionários do governo quanto potentados da mídia.
Quando se conhece, porém, o conteúdo dos decretos ocultados, vê-se que a coisa é infinitamente mais grave do que o simples boicote organizado do direito à informação. Em 31 de dezembro, quando o povo estava distraído festejando o Ano Novo, Obama assinou o Defense Authorization Act, que lhe dava, simplesmente, o direito de mandar matar ou de prender por tempo indefinido, sem processo nem habeas corpus, qualquer cidadão americano. No crepúsculo da sexta-feira, 16 de março, veio uma ordem executiva (o equivalente da nossa “medida provisória”, com a diferença de que não é provisória) que confere ao presidente os poderes necessários para estatizar, a qualquer momento e sem indenização, todos os recursos energéticos do país, incluindo as empresas de petróleo, mais a indústria de alimentos, e ainda para instituir quando bem deseje, sem autorização do Congresso, o recrutamento militar obrigatório. Em suma: o homem deu a si mesmo poderes ditatoriais, e nas duas ocasiões fez isso em momentos calculados para desviar as atenções e frustrar a divulgação. A precaução acabou por se revelar desnecessária: jornais e canais de TV, levando a solicitude até o último limite do servilismo totalitário, não publicaram praticamente nada a respeito, de modo que, com exceção daqueles que já voltaram as costas à mídia elegante e preferem informar-se pela internet, os americanos, tendo adormecido numa democracia, acordaram numa ditadura sem ter a menor idéia do que havia acontecido (v. os comentários de Dick Morris em http://www.dickmorris.com/obama-assumes-dictatorial-powers/).
Não que esta seja a primeira ditadura a ocultar sua própria existência. O segredo, ensinava René Guénon, é da essência mesma do poder. As diferenças são duas:
(1) Pela primeira vez na história do mundo a ditadura secreta é implantada por um ilustre desconhecido cuja identidade permanece ela mesma secreta, bloqueada a todas as investigações.
(2) O episódio evidencia com clareza obscena o fenômeno mundial, a que já aludi muitas vezes, do giro de 180 graus na função da grande mídia, que de veículo de informação se transmutou maciçamente, nas últimas décadas, em órgão de censura e controle governamental da opinião pública.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Péssimo Brado Retumbante!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Amy nos deixou Adele

Quando Amy Winehouse morreu, abriu espaço, conscidentemente ou não, a mais bela voz e espírito da música mundial. Dona de feições suaves, voz potente e uma história traduzida em músicas, Adele fez o ano de 2011 encerrar musicalmente elevado. Isso não significa, contudo, que devamos agora desmerecer nossas divas em favor da volumosa beleza londrina de Adele, ou mesmo repudiá-la porque temos divas mais belas das quais não podemos abrir mão. Não se trata de substituir uma diva por outra, mas apenas de ofertar a esta nova que desponta o verdadeiro valor que merece.
De acordo com o jornal Daily Mail, um grupo identificado como admiradores da Mãe Monstro (Lady Gaga) estaria atacando verbalmente a cantora Adele na internet, postando mensagens ofensivas (geralmente ligadas ao peso da britânica) em contas de Twitter, YouTube, entre outros. O motivo seria a briga – saudável – das duas artistas pelas paradas musicais e vendagens de álbuns mundialmente. Um dos comentários que teriam sido escritos em redes sociais seria:
Confirmado: Gaga não usará o vestido de carne porque tem medo de que Adele o coma.
Em resposta, Gaga mencionou o repúdio aos comentários e sua paixão pela cantora:- Qualquer um que diga algo negativo sobre a Adele, eu não vou apoiar. Eu não li nada específico sobre o que foi dito, mas eu com certeza não apoio isso. Eu a amo imensamente. Ela é muito doce e nós trocamos alguns e-mails sobre o nosso amor mútuo. Eu desejo o melhor para a recuperação dela e mal posso esperar para ouvir suas novas músicas. Ela é um grande sucesso nos Estados Unidos e no Reino Unido e é maravilhoso ver mulheres fortes fazendo sucesso na música pop.
Definitivamente, o fanatismo é um mal humano permanente. Contra ele menciono também meu repúdio, contra ele meu gosto por ambas se mostra um exemplo. Por ambas e por Amy.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
E por falar em tv...
domingo, 24 de julho de 2011

terça-feira, 17 de maio de 2011
A caçada ao Osama português

terça-feira, 26 de abril de 2011
Obama pega Osama pega Obama pega Osama...

terça-feira, 12 de abril de 2011
O caso Wellington
(mudei a imagem anterior para essa, recentemente divulgada: bem mais interessante para demonstrar meu ponto de vista)Por esse motivo, a linha fundamental de investigação tem sido desprezada, senão por incompetência, certamente por ordens externas que, em acordo com os interesses majoritários dos barões do capital e das cabeças humanas, providenciam um esquecimento coletivo dos verdadeiros motivos que levaram um jovem mentalmente deficiente a propagar essa onda de terror em solo brasileiro. A globalização tem seus efeitos, bons e ruins. A terra nostra, agraciada por Deus, está agora provando também dos malefícios que, dizia-se, lhe passavam ao largo.
Tasso da Silveira - Uma escola, um poeta: uma tragédia

Fronteira
Há o silêncio das estradas
e o silêncio das estrelas
e um canto de ave, tão branco,
tão branco, que se diria
também ser puro silêncio.
Não vem mensagem do vento,
nem ressonâncias longínquas
de passos passando em vão.
Há um porto de águas paradas
e um barco tão solitário,
que se esqueceu de existir.
Há uma lembrança do mundo
mas tão distante e suspensa...
porém tão perdida e vaga,
e há a espera, a infinita espera,
a espera quase presença
da mão de puro mistério
que tomará minha mão
e me levará sonhando
para além deste silêncio,
para além desta aflição.
Tasso da Silveira, Publicado no livro Regresso à Origem (1960).
In: POETAS do modernismo: antologia crítica. Org. Leodegário A. Azevedo Filho. Brasília: INL, 1972. v.4, p.74. (Literatura brasileira, 9C)
quarta-feira, 2 de março de 2011
A mocinha Devassa

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Oscar

Menos um homem das grandes letras






