Por que estas pulsões ocêanicas?

Pois é verdade que se eu não havia sequer pensado sobre uma metáfora que ilustrasse com precisão poética e elegância filosófica - sim, com precisão poética e elegância filosófica! - aquilo que encontro frente ao espelho, este reflexo que se produz em minha consciência: ao pensar na força do mar, no impacto voraz das ondas sobre as rochas, no ímpeto por vezes desmedido e incontido de uma pulsão marítima, oceânica, encontro nessa visão a pintura natural de minha própria natureza. E talvez só me falte descobrir onde o pintor escondeu seus pincéis... Mas para quê? Não há em tudo isso significativa - perfeição?

***

A poesia é a capacidade de condensar em belos versos a riqueza experiencial de nossas impressões. Ela é a mais elevada forma de arte literária - na verdade, literatura só é arte se participa intrinsecamente da poesia.
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terça-feira, 22 de abril de 2014

Brasil, um país de...


Às vezes soa esquisito ou mesmo ingrato, confesso, ter de apontar tão-somente os defeitos da "pátria amada" que nos criou e nos deixa ainda viver. Confesso que tento aprimorar os bons olhos de minha alma para não ver a queda vertiginosa que a cultura brasileira vem sofrendo nos últimos anos, sem uma música ou uma literatura que prestem, sem qualquer indício de uma casta pensante lúcida e uma plêiade de artistas bem dotados quer do mais vasto trato com o popular, quer do mais elevado diálogo com a transcendência. Todo aquele que tem um mínimo conhecimento das sociedades humanas sabe que nenhuma cultura pode chegar a sobreviver sem tais indivíduos, e não seria de todo impróprio dizer que em um futuro próximo, a continuar o atual estado de coisas, a vida brasileira se tornará tão infrutífera como são os desertos. E a imagem talvez renda seus frutos: pois se nos desertos a fauna e flora precisam se adaptar a fim de poderem suportar os escassos recursos, também nós por aqui precisamos nos adaptar, se queremos preservar alguma sanidade. Em um lugar onde falta produtividade cultural, abundam as salivas animalescas dos famintos sem espírito.
A falta de vida cultural não é tão facilmente diagnosticada, sobretudo por quem desconheça o que seja uma vida cultural. No caso do Brasil, contudo, um estudante atento rapidamente vai perceber pelas aulas de história e de literatura que a cultura brasileira durante os anos 20 até os anos 60 e 70 foi um oceano de grandes mentes, de discussões políticas e artísticas que vieram a formar gerações, e que hoje não passam de um capítulo nos livros didáticos, sem que saibamos muito bem como aquilo poderia ter acontecido e como é que fazemos acontecer de novo. Muitos duvidariam da necessidade de uma tal efervescência cultural vir a se realizar em nossos dias. O deserto produz miragens. É por isso que enxergamos em Paulo Coelho ou em Veríssimo os maiores representantes das letras tupiniquins, sem nos esquecermos de Caetano e de Chico, elevados ao posto de grandes poetas por quem nunca parou para ler grande poesia. Na falta de água em meio à seca, qualquer líquido pode satisfazer a sede.
O reflexo dessas miragens luxuriantes, e demasiadamente compensadoras, se projeta no meio social quando tivermos que lidar com as situações do nosso dia a dia. Como ao ler pesquisas, por exemplo, sem que saibamos avaliar o que dizem realmente os dados, isso se eles não vierem falseados com algum interesse obscuro, como foram os últimos dados do IPEA. O desagrado com o resultado de pesquisas do IBGE tem feito o governo preterir verbas para a instituição, talvez para mostrar ao IBGE que é o modo à la IPEA que mais lhe interessa agora. Isso porque é preciso falsear os dados, superfaturar obras para a Copa e promover um rombo na Petrobrás muito maior que qualquer mensalão poderia cobrir. Deve-se mesmo esvaziar os cofres públicos e subjugar as forças policiais e a suprema corte, promovendo a mais generalizada corrupção que já se viu por aqui. Afinal, um povo com fome e sede não encontra forças para lutar e, em meio ao deserto do real em que estamos nos encerrando, o oásis que a terra brasileira produz vai parar nos bolsos da politicalha. 
Nada poderia retratar em alto e bom som a miséria desse país que dois fatos recentes bastante simbólicos. O primeiro deles veio devido aos dados falseados da pesquisa do IPEA, quando ativistas decidiram lutar contra a cultura e a opressão machistas por meio de uma campanha "Não mereço ser estuprada". Pois se a campanha tinha o enfoque de não culpar as mulheres pela violência dos homens, há aqui um problema: se as ativistas defendiam não merecer serem estupradas, deixava-se subentendido que as vítimas de estupro de algum modo mereceriam! Mas as incoerências não param aí. O segundo caso é ainda mais simbólico: o tal "professor" de filosofia que intitulou a Popozuda como "grande pensadora contemporânea" não mostrou a mínima compreensão de que o trecho escolhido do funk era ele mesmo uma prova da falta de pensamento, ainda que fosse pequeno. Alguém que não entenda que "tiro, porrada e bomba" nada tem de pensamento nem deveria se aproximar da filosofia... Mas o descaso e a inércia por aqui são tão grandes que não posso me arrepender de trazer de novo nossos defeitos ao invés das grandes coisas. Porque enquanto se assiste à TV e se espera ansioso pelo hexa da seleção, o que tem acontecido de realmente grandioso está a nos prejudicar. Ainda que não possamos enxergar o país do futuro nesse deserto brasileiro, a terra prometida tem sido uma miragem, porque dela somos privados, como os judeus no Egito, por nossa própria ignorância.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Batman, Sheherazade e companhia




Gerações inteiras foram criadas lendo e ouvindo as histórias em quadrinhos de heróis justiceiros contra os males que a própria sociedade não é capaz de resolver por ela mesma. E, diga-se de passagem, sempre foram aplaudidos e reverenciados por isso, dentro e fora das histórias. Mas é claro que, como um bom leitor, sei diferenciar as coisas: as histórias em quadrinhos não passam de 'histórias', inventadas a fim de atrair leitores; mas também sei que nenhuma 'história' é mera invencionice, desligada da realidade dos seus escritores e leitores: há sempre aspectos da vida comum que são inegavelmente retratados pela ficção, pois a arte tem a função mesma de expressar impressões sobre o real, a fim de nos ajudar a entender as coisas.

Pois duas coisas parecem não ser bem entendidas ultimamente. A primeira delas é que não cabe ao Estado ser o responsável pelo bem da humanidade. A autoridade que geralmente se outorga às forças públicas para se resolver todos os problemas que nos assolam denota já uma esperança falha e vaga, como aquela que persiste no sobre-humano das histórias de heróis: falha e vaga porque bastaria pensar que para o Estado ser capaz de resolver todos os problemas da sociedade ele precisaria ter um poder ‘acima’ de toda a sociedade, e as experiências do século passado já nos mostraram que não é uma boa ideia depositar todo o poder nas mãos estatais. Afinal, parafraseando os clamores ao digníssimo Chapolin Colorado, “quem poderá nos defender” contra os abusos do Estado? Cabe única e exclusivamente à sociedade produzir o seu bem próprio – ou rezar para que sua esperança em fortificar os tentáculos estatais não acabe em frustração, que o mocinho acabe se tornando o bandido.

Mas rezar não é bem algo que se possa dizer uma atitude comum aos apologistas da vida laica estatal. E é neste aspecto que se encontra a segunda situação não bem compreendida. Porque é mesmo a defesa do Estado laico aquilo que, em princípio, possibilitaria a livre discussão entre diferentes credos: um Estado regido pelo ‘monopólio religioso’ engessa, diz-se, o livre debate de ideias. Pois bem, o que fazemos com nosso Estado laico? O que tenho visto – e, embora Descartes se sentisse mais realizado em acreditar que os sentidos nos enganam, confio que meus olhos enxergam a realidade, não uma ilusão – é a tentativa de projetar um discurso dominante, ‘monopolista’, uma espécie de aura mística e, porque não, ‘religiosa’ em torno a certos temas, como se a opinião adversa não pudesse se expor – pior, tivesse de ser calada. A homogeneidade de opiniões é alienante em qualquer tipo de sociedade, seja ela ‘religiosa’ ou ‘laica’. Desejar, como se tem desejado ultimamente, que apenas um discurso se projete como dignamente ‘humano’ é alienar os homens da condição mais básica de sua existência em um Estado laico: a livre expressão.

Pois bem, é dignamente honroso – e de minha parte, louvo: corajosamente exercido – o direito à livre expressão da jornalista do SBT Rachel Sheherazade. Em época de monotonia de opiniões, é sempre bem vindo quem tenta olhar a coisa de um outro lado, dizer o que não se vê, ou se vê mas não se quer dizer. Na verdade, seu último comentário sobre o caso dos ‘justiceiros’ da vida real ressoou a voz de muitos contra o atual estado de coisas. Mas outros viram nessa voz apenas o ‘berro fascista’ contra os direitos humanos, e não tardaram a incentivar por todos os meios a iniciativa de fazê-la calar à força. Interessante notar que ela mesma, vítima semanas atrás da ‘liberdade de expressão’ de um professor – que péssimo! – de ‘filosofia’ que lhe desejou fosse estuprada, sequer recebeu o apoio destes que defendem hoje os direitos humanos do garoto do Flamengo. Isso porque os DH não servem para todos – só para aqueles que realmente precisam, que estão à margem da sociedade, que são por isso injustiçados, coitados... Tomara que possam fazer algo, o mais rápido possível, em favor dos DH dos marginalizados de hoje, que já não podem comprar as caríssimas edições das histórias em quadrinhos – afinal, eles deveriam ao menos ter alguma esperança de verem o Estado-herói lhes salvar dessa sociedade cruel que lhes oprime todos os dias. E aqui, eu diria, a inversão não foi por acaso: é proposital que nos capítulos que vivemos atualmente a cidade de Gotham City seja culpada pelos marginais excluídos no Asilo Arkham, e que reste ao Batman salvar Coringa e companhia dos males infindos desta cidade suja e corrupta. Aos que não foram, como eu, criados em meio aos grandes super-heróis, desculpem-me as referências feitas aqui. Espero, de verdade, não ser também censurado por perverter o discurso dos ‘mocinhos’...

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

E por aqui, nada de novo...


Tudo bem que Lady Gaga fascina até certo ponto com sua mistura não pouco sedutora de som e imagem, provocando os olhos a perceberem aquilo que a mente não quer ver, ou não pode. Mas sua mensagem não é nova, tornou-se ao contrário constante desde o momento em que se resolveu depor a qualquer custo as conquistas da civilização, dando voz as partes mais baixas ou ao que se marginalizou diante da cristalização inerente aos avanços de um padrão de cultura. Qualquer padrão exclui, e são os excluídos que se pretende fazer ouvir pela nova proposta cultural sob a qual vivemos. Gaga é um símbolo, é um condensado dessas inúmeras vozes postas em cena pela força da personalidade de um indivíduo, uma missão que toda grande persona acaba atraindo para si: a de ser a manifestação de muitas vozes, não necessariamente as mais baixas como a voz e o corpo de Gaga manifestam.
O que se vê, porém, em terras brasileiras é uma caricatura de tudo o que há de mais elevado na cultura humana, uma impenitente caricatura das grandes personalidades e das grandes ideias! E não é mesmo uma caricatura grosseira, mais ainda, uma caricatura terrível de Gaga o que essa moça resolveu fazer aqui? Mas como é próprio ao caricato ser irônico de algum modo, cubro-me também de ironia para dizer o quanto esse vídeo me fascinou: que admirável a construção do cenário e dos figurinos, que harmonia graciosa essa donzela popozuda conseguiu imprimir para fazer dialogar música, letra e ambientação, quanta criatividade na escolha dos seus parceiros de dança, dos passos que acompanham a música, da poesia aludida por cada verso cantado com uma voz de fazer inveja às mais brilhantes sopranos da música universal! É realmente admirável ver a capacidade que temos de por aqui nos deixar levar por uma excelência tão incomum aos nossos olhos como essa com a qual a srta. Valesca nos presenteia. Se o grotesco de Gaga é fazer ver o que nossa civilização excluiu, é imensamente mais grotesco quando a caricatura mais baixa possível do que há de mais baixo na civilização resolve dar ares de uma grande coisa. Nada mais digno de se recusar a ver.

sábado, 2 de novembro de 2013

Comédia da vida privada...


Respeitável público, bem vindo ao show de bizarrices que só o Brasil poderia produzir em um só espaço! Por aqui, artistas militantes contra a censura, anos atrás, agora abrem as portas para o controle de informação sobre as suas lindas e intocadas biografias; os nossos encarecidos políticos oferecem, como resposta ao apelo popular pelas ruas do país, uma mini-reforma política que, e isso não é ironia, proíbe os birutas e outras tantas parafernálias em época de campanha, mas nada falam sobre o que realmente importa. E como se já não bastasse, temos obras para a copa e as olimpíadas sendo feitas às pressas e custando ainda mais do que já custavam - afinal, por aqui sobra dinheiro para trazer médicos de outros países, para sustentar uma boa base política por meio de mensalinhos e mensalões, para deixar de ser um comunista operário e tornar-se um digno e respeitado burguês comunista. Porque, convenhamos, abaixo da linha do Equador só interessa mesmo o dinheiro, seja aquele que um Chico ou um Caetano mendigam, voltando-se contra as biografias não autorizadas, seja aquele que incentiva a depredação e as arruaças como forma de "luta política". Se a comédia na antiguidade já havia mostrado que uma das formas mais eficazes de produzir o riso era realizar inversões de valores e de comportamentos, o exagerado das inversões no Brasil já está deixando o cômico para se tornar trágico.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Um olho na tv, o outro no vizinho


O velho sonho de alguns poucos poderosos em dominar o restante da humanidade parece hoje estar em vias de profunda realização. Isso porque não só as riquezas se aglomeram em mãos cada vez mais reduzidas, como também os meios de controle e disseminação cultural alcançaram níveis nunca dantes imaginados. A um César romano ou a um Gengis Khan sequer ocorreria pensar nas possibilidades que as câmeras, a mídia e a internet hoje disponibilizam para quem se aprouver desses meios - para o benefício de quem mesmo? Nesse contexto, a cultura e os mecanismos de aculturação se tornam decisivos para os intentos de domínio, ou de simples mudança de comportamento, que no fim das contas não deixa de ser uma forma de domínio.
Ainda ontem, o 'Fantástico' - que de fantástico mesmo só tem o nome - apresentou uma 'reportagem' sobre a maneira como as pessoas nas ruas se comportam frente a uma situação privada, em que a mulher tenta impedir que o marido bêbado assuma a direção do carro do casal. Em dois dias de encenação, apenas três pessoas resolveram intervir na situação, e as imagens e comentários sobre inúmeros acidentes de carro, que permearam a reportagem com o intuito nada mascarado de nos sensibilizar, faziam destas três pessoas agentes de transformação social dignos de uma condecoração de cidadãos exemplares.
Exatamente: não resta dúvidas de que a finalidade da 'reportagem' global fora modificar o comportamento das pessoas, a fim de que intervenham elas mesmas como agentes de transformação social. É imprescindível que, segundo aqueles que engendraram a referida 'mensagem educativa', nosso vizinho não tema em ter de intervir em assuntos privados, e que não lhe dizem respeito, tão-somente porque ele deve pensar a partir de agora que isso lhe diz respeito sim. Se a velha propaganda boca a boca é infalível para o mercado, por que não poderíamos também, cada um de nós, exercer as funções públicas contra o desleixo social? O caso que foi apresentado, com risco de morte, serve como um caso-limite para alguns outros casos 'menos mortais' de nosso cotidiano, e que não deixam de requerer a mesma aplicação cidadã.
Na era da vigilância desmedida, os civis são convidados regularmente a exercer em seu dia a dia o papel de vigilantes, acompanhado da antiga crença de que isso é feito para o bem comum. Mas jamais devemos nos esquecer que o 'bem comum' é um eufemismo, que serve para ocultar a parcela da sociedade que realmente ganha com isso. A difícil questão está em saber quem lucra com essa mudança de comportamento na vida social. A mim, não me parece arriscado dizer quem perde: a massa que, iludida pela tv, se vê promovida de seu anonimato a uns parcos quinze minutos de fama. A fama de se comportar politicamente correta, ou antes, como querem que nos comportemos.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Sheherazade e as mil e uma noites - de funk!


Tudo bem que as reportagens na mídia brasileira atual sejam padronizadas, e mais que isso, sejam induzidas com fins ideológicos. Tudo bem que muito antes que informar, a mídia atual, e a brasileira mais que todas, destina-se a (in)formar. Mas caberia perguntar: também não há indução ideológica nas universidades? O recente 'debate' na internet entre a jornalista Rachel Sheherazade e a estudante de mestrado Mariana (popozuda?) Gomes - digo 'debate' apenas para meus próprios fins 'ideológicos' - trouxe a discussão sobre o papel do funk na cultura brasileira, o feminismo a ele ligado e, por tabela, as relações e influências inegáveis de ambos sobre as pobres mentes tupiniquins. Isso porque em meio a um debate verborrágico, em que as palavras são deslocadas de seus contextos, a coisa vira mesmo um baile em que muito pouco ou quase nada se chega a saber se não se fugir de volta à realidade.
No que me caberia alguma posição enquanto estudante de mestrado, não em Cultura e Territorialidades na UFF, (in)felizmente, devo dizer que a cultura é sim hierarquizada, e não poderia ser diferente, dada a possibilidade mesma de ela ser conceituada. Se tudo fosse cultura ou cultural em uma sociedade, não levaria um segundo para alguém notar a ausência completa e instantânea da mesma. A distinção entre coisas é característica inalienável dos sentidos naturais, e no homem esse aspecto abre espaço ao do apreço, ao da valoração. Distinguir coisas para o homem sempre será uma distinção entre bom e ruim, belo e feio, justo e injusto, ainda que se diga o contrário. Distinguir o cultural do não cultural é algo que mesmo nossa estudante de mestrado sabe muito bem fazer, já que cobra conhecimento. E ao cobrar conhecimento da jornalista está demonstrando, ora vejam, a existência de uma hierarquia quanto ao conhecimento, ou antes, entre aqueles que sabem e os que não sabem. Para a senhorita popozuda, como para todo homem de senso, quem conhece algo deve ser melhor no falar sobre algo que aquele que nada sabe.
Pois bem, se a palavra 'cultura' hoje se vê tão desgastada que já não se percebe com clareza as distinções que a diferenciam do que não é cultural, tais problemas de visão, no entanto, não deveriam atingir o espaço da universidade. É papel da universidade a investigação e o ensino voltados para o conhecimento, e o conhecimento acerca do que não se conhece começa sempre pelo que já é conhecido. Este conhecido, cuja função é nortear a investigação, não é assumido na escala hierárquica do conhecimento como um 'clássico'? Se a estudante popozuda teve de ler quatro livros (sic!) para ingresso no mestrado, significa que aos coordenadores do programa tais livros são 'clássicos' para a investigação sobre a cultura - claro, segundo sua própria ideia de cultura. Não seria então muito mais legítimo defender a falta de hierarquia em relação ao conhecimento? Para que ler tais livros, deveria perguntar a estudante, se podemos aprender igualmente com o batidão? A 'desonestidade intelectual' encontra-se exatamente no igualitarismo cultural, que se não tenta rebaixar a alta cultura, intenta elevar o apelo sexual mais imediato ao cume da dignidade cultural, ainda que os dois movimentos acabem dando no mesmo.
Igualar Saramago e Valesca é questionar, no fim das contas, por que é que ainda temos faculdades. Para que, se tudo possui o mesmo valor cultural? Pode-se obter a mesma experiência humana lendo Ensaio sobre a Cegueira e ouvindo Tati quebra-barraco! Bem, a continuar assim, talvez a universidade realmente já não sirva mais para nada. Talvez já não haja mais necessidade de perder meses e meses lendo Machado ou Proust. Talvez já não haja diferença entre livros e enfeites de prateleira. Será neste instante, certamente, que o Brasil descerá de uma vez por todas pelo ralo. E se depender da atual cultura brasileira, sobretudo aquela defendida pela nossa camada dita intelectual, o buraco será ainda mais fundo.

A Rachel, pelo excelente trabalho de voz no deserto, ainda que soe às vezes histérica.

O link para as fontes do 'debate': A reportagem e A resposta

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012


A atividade mais necessária e mais desprezada hoje em dia: conseguir perceber o que é verdade e o que não é naquilo que as pessoas dizem, não tanto as do nosso cotidiano, mas sobretudo as ditas autoridades em qualquer assunto, políticos, médicos, propaganda. Um pouco mais de Foucault para o próximo ano!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O advento da ditadura secreta

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 28 de março de 2012

Escolados pelo precedente do Foro de São Paulo, cuja existência lhes foi ocultada durante dezesseis anos pela mídia soi disant respeitável, alguns leitores brasileiros talvez não se sintam tão espantados ao ver que o New York Times, o Washington Post, a CNN e demais organizações jornalísticas de maior prestígio nos EUA, mesmo depois do pito que levaram do Pravda, continuam sonegando ao público qualquer notícia sobre os documentos forjados de Barack Hussein Obama.

Nos dois casos, a recusa de cumprir a mais primária obrigação do jornalismo pode se explicar, de início, pela reação automática de ceticismo ante condutas que, de tão perversas, maliciosas e abjetas, parecem inverossímeis. Quem poderia acreditar, assim sem mais nem menos, que a esquerda, desmoralizada e aparentemente moribunda após a queda da URSS, estava preparando um retorno triunfal na América Latina por meio de um acordo secreto entre organizações legais e criminosas, planejado para controlar, pelas costas do eleitorado, a política de todo um continente? Quem poderia engolir, na primeira colherada, a hipótese de que um bandidinho com identidade falsa, subsidiado por bandidões, ludibriou a espécie humana praticamente inteira e, da noite para o dia, saiu do nada para se tornar presidente da nação mais poderosa do mundo? É mesmo difícil. Mas quando nem mesmo o acúmulo incessante de provas inquestionáveis demove do seu silêncio obstinado os profissionais que são pagos para falar, então é impossível evitar a suspeita de que o engodo geral não foi tramado só por políticos, mas também pelos donos de jornais, revistas e canais de TV, secundados pelo proletariado intelectual das redações.

No entanto, como qualquer pessoa com mais de quinze anos tem a obrigação de saber, não há nada que esteja tão ruim que não possa piorar. Depois de ocultar a maior fraude política de todos os tempos, a mídia americana passou a esconder até decretos oficiais do governo Obama, que assim são impostos a toda uma população desprovida do elementar direito de saber que eles existem. Os leitores mais velhos devem se lembrar de que a nossa ditadura militar inventou, um belo dia, um treco chamado “decreto secreto”, que entraria em vigor sem precisar ser publicado. Inventou-o mas, que eu saiba, não teve a cara-de-pau de chegar a usá-lo. Pois bem, graças às empresas de comunicações de Nova York e Washington, essa coisa, essa deformidade jurídica inigualável, está em pleno uso na mais velha e – até recentemente – mais estável democracia do mundo.

Quando o amor fanático da classe jornalística a um político se coloca descaradamente acima da Constituição, das leis, da segurança nacional e de todas as regras básicas da moralidade, não há como explicar isso pela mera preferência espontânea dos profissionais de imprensa, por mais obamistas que eles comprovadamente sejam. Alguns jornalistas chegaram a queixar-se ao chefe da Comissão Arpaio, Michael Zullo, de que haviam recebido ameaças diretas do governo para que nada publicassem das investigações. Artigos a respeito foram misteriosamente retirados até de sites conservadores como www.townhall.com, e uma entrevista marcada com Jerome Corsi, o incansável investigador da fraude documental, foi suspensa na Fox News por ordem explícita da diretoria. Com toda a evidência, o bloqueio vem de muito alto, envolvendo tanto funcionários do governo quanto potentados da mídia.

Quando se conhece, porém, o conteúdo dos decretos ocultados, vê-se que a coisa é infinitamente mais grave do que o simples boicote organizado do direito à informação. Em 31 de dezembro, quando o povo estava distraído festejando o Ano Novo, Obama assinou o Defense Authorization Act, que lhe dava, simplesmente, o direito de mandar matar ou de prender por tempo indefinido, sem processo nem habeas corpus, qualquer cidadão americano. No crepúsculo da sexta-feira, 16 de março, veio uma ordem executiva (o equivalente da nossa “medida provisória”, com a diferença de que não é provisória) que confere ao presidente os poderes necessários para estatizar, a qualquer momento e sem indenização, todos os recursos energéticos do país, incluindo as empresas de petróleo, mais a indústria de alimentos, e ainda para instituir quando bem deseje, sem autorização do Congresso, o recrutamento militar obrigatório. Em suma: o homem deu a si mesmo poderes ditatoriais, e nas duas ocasiões fez isso em momentos calculados para desviar as atenções e frustrar a divulgação. A precaução acabou por se revelar desnecessária: jornais e canais de TV, levando a solicitude até o último limite do servilismo totalitário, não publicaram praticamente nada a respeito, de modo que, com exceção daqueles que já voltaram as costas à mídia elegante e preferem informar-se pela internet, os americanos, tendo adormecido numa democracia, acordaram numa ditadura sem ter a menor idéia do que havia acontecido (v. os comentários de Dick Morris em http://www.dickmorris.com/obama-assumes-dictatorial-powers/).

Não que esta seja a primeira ditadura a ocultar sua própria existência. O segredo, ensinava René Guénon, é da essência mesma do poder. As diferenças são duas:

(1) Pela primeira vez na história do mundo a ditadura secreta é implantada por um ilustre desconhecido cuja identidade permanece ela mesma secreta, bloqueada a todas as investigações.

(2) O episódio evidencia com clareza obscena o fenômeno mundial, a que já aludi muitas vezes, do giro de 180 graus na função da grande mídia, que de veículo de informação se transmutou maciçamente, nas últimas décadas, em órgão de censura e controle governamental da opinião pública.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Péssimo Brado Retumbante!


Péssima - é a palavra para definir a série que a Globo apresenta, tentativa frustrada de entreter o público com as façanhas da política. A série peca não tanto pela atuação precária e delirante de iniciantes e veteranos, mas pela tentativa de sustentar como "política" aquela encenação surreal e farsesca que poderia ser aventada como tema, mas que passa ao longe dos verdadeiros conflitos de governo. As situações familiares - porque afinal é nisso que se encerra a série - daquele que alcança repentina e grotescamente o cargo de presidente tomam a dianteira para trazer, em algo que já parece ter sido percebido por alguns, as reais tentativas Globais, não de mostrar o papel de um verdadeiro político e de como se deve fazer política, mas sim preparar a mente ignorante das pessoas intelectuais - afinal, dificilmente o povão estará acordado para vê-la depois do BBB - para as próximas eleições que enfretaremos. Se não fóssemos tão débeis, os televisores desligados seriam uma unanimidade nacional.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Amy nos deixou Adele

Quando Amy Winehouse morreu, abriu espaço, conscidentemente ou não, a mais bela voz e espírito da música mundial. Dona de feições suaves, voz potente e uma história traduzida em músicas, Adele fez o ano de 2011 encerrar musicalmente elevado. Isso não significa, contudo, que devamos agora desmerecer nossas divas em favor da volumosa beleza londrina de Adele, ou mesmo repudiá-la porque temos divas mais belas das quais não podemos abrir mão. Não se trata de substituir uma diva por outra, mas apenas de ofertar a esta nova que desponta o verdadeiro valor que merece.

De acordo com o jornal Daily Mail, um grupo identificado como admiradores da Mãe Monstro (Lady Gaga) estaria atacando verbalmente a cantora Adele na internet, postando mensagens ofensivas (geralmente ligadas ao peso da britânica) em contas de Twitter, YouTube, entre outros. O motivo seria a briga – saudável – das duas artistas pelas paradas musicais e vendagens de álbuns mundialmente. Um dos comentários que teriam sido escritos em redes sociais seria:

Confirmado: Gaga não usará o vestido de carne porque tem medo de que Adele o coma.

Em resposta, Gaga mencionou o repúdio aos comentários e sua paixão pela cantora:

- Qualquer um que diga algo negativo sobre a Adele, eu não vou apoiar. Eu não li nada específico sobre o que foi dito, mas eu com certeza não apoio isso. Eu a amo imensamente. Ela é muito doce e nós trocamos alguns e-mails sobre o nosso amor mútuo. Eu desejo o melhor para a recuperação dela e mal posso esperar para ouvir suas novas músicas. Ela é um grande sucesso nos Estados Unidos e no Reino Unido e é maravilhoso ver mulheres fortes fazendo sucesso na música pop.

Definitivamente, o fanatismo é um mal humano permanente. Contra ele menciono também meu repúdio, contra ele meu gosto por ambas se mostra um exemplo. Por ambas e por Amy.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

E por falar em tv...



Cuidado! Estejamos atentos! Nossa memória é bastante falha, mas estarei aqui para (talvez só para mim mesmo...) lembrar de que algo suspeito esteve no ar algumas semanas atrás, e provavelmente nem tenhamos dado tanta importância assim. O editorial Globo, aquele representante dos interesses americanos em solo brasileiro, publicou em agosto um manifesto de isenção e imparcialidade de sua função jornalística, e deveríamos perguntar - pra quê? Aparentemente, nenhum fato pôs as organizações em dúvida quanto a sua credibilidade, e aparentemente não haveria qualquer motivo para um tal manifesto. Mas isso é só aparentemente. A Globo não faz nada por acaso. E ao sentir uma necessidade tão 'benfeitora' de mostrar ao público suas 'justas e louváveis' intenções na escolha e na apresentação das notícias (quem acredita?), está certamente prevendo uma situação à frente em que sua credibilidade será (quem duvida?) posta à prova. Aguardemos pra ver de novo, claro, só se for na Globo... (sic)

domingo, 24 de julho de 2011


Morre mais uma diva com a idade fatídica de 27 anos. A flor da juventude desbotou intensa e danosa, como Janis Joplin e Jimi Hendrix, e a sua partida era bem mais do que previsível. Quando o mundo parece rendido ao seu talento, o artista perde a dimensão "social", "coletiva", por assim dizer, de sua própria individualidade. O apelo que emerge do mais íntimo de cada um, em forçar uma não aceitação de padrões ou limites, quaisquer que sejam, é assustadoramente maior nestes casos. A alma não suporta a imensa vastidão de sua "liberdade". Quem padece é o corpo, o ser mais frágil desta conjunção. O fim trágico, entretanto, parece atender a um desejo profundo de eternidade: a genialidade parece perdurar ainda mais quando encerrada tragicamente. Não apenas seu talento, mas a personalidade forte e atraente de Amy Winehouse, ainda e sempre ressoarão, por trás e em conjunto com sua música.

terça-feira, 17 de maio de 2011

A caçada ao Osama português


O português, que há 511 anos, por aí, chegou em terras tupiniquins, parece estar ameaçado: o Ministério da Educação e Cultura, órgão que deveria cuidar exatamente da educação e da cultura da sociedade brasileira, aprovou um livro de gramática portuguesa que não ensina gramática. Os autores justificam a defesa de um afrouxamento da norma culta como uma forma de evitar o preconceito com as diferentes formas de se expressar. Contudo, que preconceito não seria maior que este atestado de incapacidade, onde o órgão máximo da educação no país maleabiliza as leis da gramática como forma de privilegiar a variedade de dialetos dos jovens brasileiros? Se concordar o plural dos artigos com os substantivos é tão difícil assim, por que continuar a aceitá-lo nos exames e concursos públicos? Não seria isso uma discriminação sem igual? Afinal, segundo os nobres e doutos juízes do MEC, não valorizar as diferenças é sinônimo de discriminação - como se o padrão e a norma fossem o carrasco opressor das jovens mentes estudantis. A educação no Brasil está um fiasco. O país jamais alcançará os degraus de maior destaque no mundo enquanto preterir suas raízes, enquanto não se dispuser a realmente educar os jovens - sem imaginar que ensinar leis é tolir ao invés de formar. Desconfiemos de todo aquele que tenta afrouxar ou mesmo tornar mais branda e sem efeito a lei: certamente a discriminação não será extinta pelo decreto que invalida a universalidade das diferenças.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Obama pega Osama pega Obama pega Osama...




Cuidado! O barbudinho pode não ser mais barbudo, e em algum momento ele pode bater à sua porta, bater a sua carteira, ou bater outros aviões contra outras belas paisagens do mundo moderno... Mas não se preocupe! Sorria, que os "yankes" sabem o que fazem - embora nem mesmo seu cinema tenha mais assim tanta qualidade...

terça-feira, 12 de abril de 2011

O caso Wellington

(mudei a imagem anterior para essa, recentemente divulgada: bem mais interessante para demonstrar meu ponto de vista)

A polícia e os noticiários têm desacreditado dos escritos deixados pelo assassino de Realengo, sobretudo acerca de um seu possível envolvimento com facções extremistas do islã. Mas a força persuasiva que as religiões atuais exercem sobre as mentes mais jovens (e não só) é um vírus que mata aos poucos, em alguns casos, mata coletivamente. É uma endemia, uma epidemia - talvez seja mesmo uma pandemia que precisa receber os devidos cuidados preventivos para que, como já dizia Hipócrates há bastante tempo, os humores voltem à estabilidade e à harmonia. Se há algo de divino no saber humano, a harmonia é seu espécime essencial.
Por esse motivo, a linha fundamental de investigação tem sido desprezada, senão por incompetência, certamente por ordens externas que, em acordo com os interesses majoritários dos barões do capital e das cabeças humanas, providenciam um esquecimento coletivo dos verdadeiros motivos que levaram um jovem mentalmente deficiente a propagar essa onda de terror em solo brasileiro. A globalização tem seus efeitos, bons e ruins. A terra nostra, agraciada por Deus, está agora provando também dos malefícios que, dizia-se, lhe passavam ao largo.

Tasso da Silveira - Uma escola, um poeta: uma tragédia


A loucura fatal de nossa sociedade mais uma vez se estampou nos noticiários e diante dos olhos de todos. Um jovem possuído por problemas mentais e ideológicos assassinou aleatoriamente crianças em uma escola no bairro de Realengo, no Rio, deixando marcas incontornáveis. O próprio assassino havia sido vítima de inúmeras marcas da vida, do seu contexto familiar e social. As marcas de nossa cultura esquizofrênica, agonizante, em vias de ser aplaudida em um seu alvoroço descomunal pela insistente necessidade de ordem, de moral, de normalidade, quando tudo o que se exige não condiz com o que é ofertado. A lei do mercado rege a vida cotidiana: a procura encontra ampla oferta, embora o aviso seja sempre "não procure", "não consuma". Os mais frágeis não resistem. Sucumbem ao teor alcoólico da lógica capital. Viciam-se com a cultura florida e multifacetada dos tempos tecnológicos. E tornam-se antissociais, perigosos, revolucionários. Projetam sobre a mesma sociedade que os instiga um sentimento permanente de desregramento, de dissolução, de perversão. Consuma e não suma: seja. A fatalidade do destino de nosso tempo se estampa, mais uma vez. Produz o espanto, a perplexidade, o silêncio. A escola de Realengo voltará à normalidade, mas não a de antes. O silêncio fere. Talvez o poeta que lhe dá o nome possa nos dizer, ao fim, o que fica de todo esse estampar-se de uma tragédia.


Fronteira


Há o silêncio das estradas
e o silêncio das estrelas
e um canto de ave, tão branco,
tão branco, que se diria
também ser puro silêncio.
Não vem mensagem do vento,
nem ressonâncias longínquas
de passos passando em vão.
Há um porto de águas paradas
e um barco tão solitário,
que se esqueceu de existir.
Há uma lembrança do mundo
mas tão distante e suspensa...

Há uma saudade da vida
porém tão perdida e vaga,
e há a espera, a infinita espera,
a espera quase presença
da mão de puro mistério
que tomará minha mão
e me levará sonhando
para além deste silêncio,
para além desta aflição.


Tasso da Silveira, Publicado no livro Regresso à Origem (1960).
In: POETAS do modernismo: antologia crítica. Org. Leodegário A. Azevedo Filho. Brasília: INL, 1972. v.4, p.74. (Literatura brasileira, 9C)

quarta-feira, 2 de março de 2011

A mocinha Devassa


Quem diria que a mocinha se tornaria uma mulher! Tornou-se? Há dúvidas quanto ao papel devasso da eterna menina dos olhos de todos... Mas com alguma forcinha, é possível olhá-la com bons olhos: de algum modo a campanha da cerveja Devassa atrela sua imagem a da eterna musa da devassidão, provocando a imaginação a um irresistível sabor de pecado. Para quem ainda prefere a Hilton no papel (como eu), Sandy ataca - "A verdade é: eu tenho um lado devassa. Todos nós temos". Haja imaginação...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Oscar


Merecedora certamente, que já em Closer poderia ter sido reconhecida... Brilhante atriz entre algumas divas decadentes da decaída Hollywood, Natalie Portmam é talvez um daqueles gênios da atuação, tão profundos e multifacetados, que desde agora e sempre figurará no rol das grandes surpresas cinematográficas, que reúne em si uma beleza apaixonante e uma atuação impecável.

Menos um homem das grandes letras


Morreu na madrugada deste domingo o escritor gaúcho Moacyr Scliar, de falência múltipla de órgãos. Ele sofreu um acidente vascular cerebral isquêmico (AVC ) em 16 de janeiro, enquanto se recuperava de uma cirurgia no intestino, e desde então estava internado no CTI do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
Um dos poucos homens dignos de ocupar uma cadeira na ABL, deixa-a agora vaga - para quem?