Por que estas pulsões ocêanicas?

Pois é verdade que se eu não havia sequer pensado sobre uma metáfora que ilustrasse com precisão poética e elegância filosófica - sim, com precisão poética e elegância filosófica! - aquilo que encontro frente ao espelho, este reflexo que se produz em minha consciência: ao pensar na força do mar, no impacto voraz das ondas sobre as rochas, no ímpeto por vezes desmedido e incontido de uma pulsão marítima, oceânica, encontro nessa visão a pintura natural de minha própria natureza. E talvez só me falte descobrir onde o pintor escondeu seus pincéis... Mas para quê? Não há em tudo isso significativa - perfeição?

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A poesia é a capacidade de condensar em belos versos a riqueza experiencial de nossas impressões. Ela é a mais elevada forma de arte literária - na verdade, literatura só é arte se participa intrinsecamente da poesia.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A vida refletida


Quando alguém se deixa incomodar pela indagação do sentido da vida, o seu existir se deixa ele também incomodar com a efemeridade do simples viver. E então já não se vive simplesmente, já não se deixa a vida seguir apenas pela necessidade de seguir, de viver - A vida perseguirá de um modo incômodo uma razão para se dar, e para ser. Uma vida assim incomodada não se deixa viver simplesmente. E então alguém poderia dizer que no fundo o que há é uma morte contínua da vida, um morrer constante pelo pensamento - ou será na verdade tudo isso o único modo de se realmente viver?

"Uma vida não examinada não merece ser vivida" - Sócrates

Essas coisas nossas de cada dia... Ou a vida moderna em um flash sexual

Homem processa médico após 30 horas de ereção

O belga Yves Lecompte, de 40 anos, entrou com um processo na Justiça de Courtrai, na Bélgica, contra seu ex-médico depois que teve uma ereção de 34 horas que o deixou impotente, segundo reportagem do jornal “Sud Presse”.

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Scanner mostra tamanho de pênis e americano vira motivo de piada

Funcionário do aeroporto de Miami, nos Estados Unidos, o agente Rolando Negrin, de 44 anos, virou motivo de piada entre os colegas depois de passar por um scanner corporal, que mostrou o tamanho de seu pênis.

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Idosa namora neto biológico e será mãe aos 72 anos

Pearl Carter, de 72 anos, está enfrentando muitos olhares tortos nos Estados Unidos desde que assumiu o namoro com seu neto biológico, Phil Baile, de 26 anos. Como se não bastasse, o polêmico casal ainda terá um filho concebido com a ajuda de uma barriga de aluguel. A história foi publicada pela revista neozelandesa "New Idea".

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Advogada é demitida por escrever contos eróticos na net (até que ela leva jeito...)

A imaginação da Deidre Clark rendeu sua demissão de um renomado escritório de advocacia internacional. A advogada foi dispensada depois que os sócios da empresa descobriram que a profissional escrevia contos eróticos na internet.

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Chinesa confunde ladrão com marido e tenta fazer sexo com invasor

Uma chinesa confundiu um ladrão com seu marido e tentou fazer sexo com o homem que havia invadido no dia 13 de janeiro sua casa em Changsha, na província de Hunan, segundo reportagem do jornal "China Daily".

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Inglês admite ter abusado sexualmente de burro e cavalo

Um homem de 66 anos de idade foi acusado de abusar sexualmente de um burro e de um cavalo em Leicester, na Inglaterra.

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Para mostrar que a realidade também está cheia de ficções eróticas...

Fonte: G1

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O bom homem mau


Quando alguém chegou e disse "este pedaço de terra é meu!" iniciou-se então o processo de desigualdade entre os homens. Mas o bom selvagem de Rousseau tinha um problema - ele era bom por natureza. Alguém em nosso tempo poderia ainda acreditar que o homem seja bom por natureza? Ou antes - há alguma bondade ou maldade na natureza, deixada ela mesma em seu próprio desenrolar-se? Somos nós quem criamos o bom e o mau, nós nos tornamos devotados a um padrão de comportamento ao qual nos referimos. Nós criamos o homem - criamos a nós mesmos. E não haveria em tudo isso siginificativa 'maldade'? Ao contrário! O ato de modificarmos nossa natureza faz parte, como tendência inalienável, de nossa própria natureza. Somos algo entre as bestas e os deuses. Somos intermediários, indefinidos porque em constante definição de si, inconstantes porque em constante afirmação do que não pode se eternizar. E então se diria - isso tudo é bom, mau, ruim? Não há valoração na natureza. Somos isso - e nada além disso. Talvez esta certeza nos ajude a entender melhor para onde caminhamos. Talvez essa certeza não nos ajude em nada, e provoque em muitos um profundo niilismo incurável. Mas não podemos abrir mão da certeza. Afinal, ter certezas faz parte da nossa natureza humana, demasiadamente humana.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Desespero



O descaso do acaso me perturba
faz pensar que estamos naufragando,
estas ondas, o vento forte, aquela dor
e a angústia que se vai acumulando -

Há meio de afastar esse temor
sem que o medo nos tenha afundado?

Entre essa sensação de desespero
e a verdade que nos traga salvação
só há pois o fundo fosso do incerto
onde ninguém sobrevive desde então.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Mundo sombrio


Esse ano é ano de disputa presidencial, favorecido sempre pela bela euforia que só uma copa do mundo pode provocar numa alma como a nossa... Contudo, o que me parecerá ser mais surpreendente não é a vitória brasileira em terras africanas, mas a vitória do desconhecido em nossa própria terra. O mundo tupiniquim está mais sombrio esse ano. O que será de nós nessa decisão preparada, em que somos os próprios responsáveis pelo empate ou pela derrota? Sim, porque vitória mesmo só haverá, e se houver, em outros lugares, entre aqueles que são - quem diria! - nossos antepassados... Que os deuses e os orixás nos ajudem!

Quando a distância separa dos pontos, duas margens, dois instantes que desejariam estar entrelaçados, próximos, pontualmente unidos - então se fez nascer um fluxo, um afluir. Então se entreviu o sentido de ser do mundo, no mundo, em tudo. Esse espaço que há entre os dois pontos não é mais que um desejo. O mundo é vontade e sua representação.

domingo, 14 de março de 2010

O dizer poético


O dito é a máxima expressão do que não se pode dizer. É a sua recusa em aceitar tal limite. É prever que nada pode nos impedir quando de fato a alma sente em si pulsar aquele fogo fátuo da vida eternizada em poucas, muito poucas palavras. Porque não se pode querer mais de tão pouco tempo. E mesmo assim insistimos. É claro, porque algo perdura ainda em meio a tudo isso. A chama parece não se afugentar tão displicentemente quanto muitos gostariam. A vida sempre encontra o seu meio. E para nós, nada substitui com maior vigor e pujança aquela sensação de eternidade na beleza – a poesia é somente e apenas o pulsar do tempo eternamente engrandecido por seres tão minúsculos e efêmeros.

E a beleza está aí. Neste sentimento consolador que move o poeta em harmonia com a canção mais insondável, escondida por trás do mundo, no mundo, aquela música que nos move e co-move a alma, os olhos, o pulso sanguíneo. E a sonoridade das palavras reunidas na poesia nos faz ouvir uma música diferente, diversa, quase mesmo inaudita se para tais palavras não estivermos munidos de bons ouvidos sensitivos. As imagens que afloram são cenas de um musical operístico, são fleches passados que a todo instante emergem e se entrelaçam no jogo imagético de ouvir a si mesmo e o mundo.

São nestes momentos sem dúvida que mais uma vez descobrimos não haver qualquer distinção entre homem e mundo. Pois a beleza está aí, sempre tão brilhantemente cantada pela mais vigorosa de todas as expressões artísticas de que o homem é capaz. São pelas palavras que o mundo torna-se aquele lunático espetáculo acima dos estábulos que tantas vezes ocorre aqui dentro de toda alma, por menos poética que ela seja.