Por que estas pulsões ocêanicas?

Pois é verdade que se eu não havia sequer pensado sobre uma metáfora que ilustrasse com precisão poética e elegância filosófica - sim, com precisão poética e elegância filosófica! - aquilo que encontro frente ao espelho, este reflexo que se produz em minha consciência: ao pensar na força do mar, no impacto voraz das ondas sobre as rochas, no ímpeto por vezes desmedido e incontido de uma pulsão marítima, oceânica, encontro nessa visão a pintura natural de minha própria natureza. E talvez só me falte descobrir onde o pintor escondeu seus pincéis... Mas para quê? Não há em tudo isso significativa - perfeição?

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A poesia é a capacidade de condensar em belos versos a riqueza experiencial de nossas impressões. Ela é a mais elevada forma de arte literária - na verdade, literatura só é arte se participa intrinsecamente da poesia.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Por um pensar concreto


Pensar concretamente não se dá por oposição ao pensar abstrato, nem mesmo no sentido de se apresentar enquanto um pensamento engessado, endurecido, imóvel. Pensar concretamente é tornar o pensamento o mais abrangente possível, o mais amplo e por isso o mais completo. Todas as possibilidades do humano se apresentam neste modo de pensar, toda a potência consciente do homem se atualiza. Deste modo, ele se realiza em um eterno movente, em um colher e rejeitar, em um conhecer e desconhecer, em um esclarecer e tornar obscuro. A lógica que reina no discurso e no pensamento concreto é uma dialética.
- Sim, mas então, concretamente, o que é o pensamento?

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