Por que estas pulsões ocêanicas?

Pois é verdade que se eu não havia sequer pensado sobre uma metáfora que ilustrasse com precisão poética e elegância filosófica - sim, com precisão poética e elegância filosófica! - aquilo que encontro frente ao espelho, este reflexo que se produz em minha consciência: ao pensar na força do mar, no impacto voraz das ondas sobre as rochas, no ímpeto por vezes desmedido e incontido de uma pulsão marítima, oceânica, encontro nessa visão a pintura natural de minha própria natureza. E talvez só me falte descobrir onde o pintor escondeu seus pincéis... Mas para quê? Não há em tudo isso significativa - perfeição?

***

A poesia é a capacidade de condensar em belos versos a riqueza experiencial de nossas impressões. Ela é a mais elevada forma de arte literária - na verdade, literatura só é arte se participa intrinsecamente da poesia.
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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Ambiguidades eleitoreiras, ou Nosso "além do bem e do mal"


Foi bonito, mas foi feio. Bonito ver tanta gente que até então não discutia política mostrar suas opiniões e argumentar em favor delas, com maior ou menor eficácia. Feio atentar para o fato de que, ao perder a compostura e a tolerância, não há debate ou argumento que dê jeito. No fundo, o processo eleitoral esse ano tornou-se, por meio das redes sociais e dos escritos jornalísticos, um campo de batalha, ora político no bom sentido da palavra, ora eleitoreiro naquilo que tem de mais mesquinho o jogo pelo poder. Parece que tivemos um pouquinho de tudo. Foi bonito, foi feio: foi, na verdade, ambíguo. 
Ainda estivemos sobre o efeito de dois movimentos de grandes proporções, que nos dominaram os ânimos e nos dividiram. Por um lado, tivemos as manifestações do ano passado, uma forma de esbravejar contra a corrupção e contra não sei mais quantas coisas, reunidas todas juntas às ruas do país para simplesmente manifestar. E não foram senão isso: um esbravejar. Grita-se quando não se tem mais outra forma de se expor. O grito é o mais infantil dos apelos, o mais mesquinho dos argumentos. Aliás, sequer adota argumentos. O grito é a falta de um saber-falar, é expressão por gemidos de raiva ou de louvor, e muda ao sabor dos ventos ou à medida que mudem a raiva em louvor e vice-versa. Tanto foi assim que as manifestações de 2013 terminaram com violência, com ofensiva marginal, com as ruas vazias de propostas e cheias de tiro, porrada e bomba. Um retrato daquilo que foi festejado como uma grande contribuição da "pensadora" popozuda a um país tão carente de grandes pensadores. 
Por outro lado, a copa trouxe um clima de indignação pelo absurdo com a verba gasta para torná-la possível, junto à paixão pela seleção brasileira que, em uma bela resposta ao amor ao futebol que por aqui é deveras religioso, nos trouxe a maior vergonha nunca dantes imaginada, sequer crível. Uma calamidade, uma heresia! Não poucos foram os que ao fim da copa testemunharam a profunda ambiguidade que nos constrangeu a todos, essa ambiguidade por querer ao mesmo tempo a vida e a morte de um país tão mesquinho porque tão grandioso, ao desejar não estar ali para testemunhar tamanha afronta ao nosso bom-mocismo, a nossa bondade tupiniquim, a nossa diplomacia e cordialidade sempre presentes. Em suma, nossa vergonha estampada nos jornais pela goleada histórica foi sentida como mais humilhante que notícias anteriores sobre corrupção ou sobre nossas deficiências enquanto país. O grito de revolta não poderia ser mais forte. 
A meu ver, as eleições desse ano não podem ser entendidas, em toda a sua ambiguidade, sem que façamos essa dupla rememoração. Isso parece sugerir aos meus olhos, com muita simpatia, uma provável explicação para os ânimos acirrados e para a divisão em que o país se viu envolvido até ontem. Até ontem... Será? Não creio. Ao contrário, parece que algo aconteceu a partir desses dois eventos exacerbados, algo que não parece terminar com o simples resultado de ontem. Não poderia deixar de ouvir falar meu lado pessimista, ao acreditar daqui pra frente em uma dicotomia ainda maior entre as duas camadas da sociedade criadas desde então. E ainda me parece muito ambígua a natureza de cada uma delas, para ser possível dizer o que buscam, o que querem. Talvez seja mesmo ambíguo o contexto político em que vivemos para ser possível falar algo de certo. 
Só não poderia deixar de perceber que há em toda ambiguidade uma verdade tão clara e certa que mesmo à noite é possível distingui-la. E ontem de noite o que se me esclareceu foi que, ao contrário do parecer do senhor Bonner, nossa democracia encontra-se ainda engatinhando, gritando para que alguém reconheça sua débil necessidade de se mostrar gente grande. Folgo em saber, porém, que por enquanto ainda há a possibilidade de se isentar dos ânimos acalorados a fim de chegar a refletir melhor sobre o que acontece. O mal terrível da democracia é dar a seus integrantes a ambiguidade de não pertencerem a sua atuante mesquinharia. Mas isso não seria um bem? Ah, essa vida ambígua... 

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Manifestar - o que mesmo?


Os manifestos que tomaram as ruas brasileiras nas últimas semanas, deflagrados pelo aumento, diga-se de passagem abusivo, das passagens de ônibus iniciaram uma onda de protestos populares em vários frontes, desde apelos contra o ato médico e a recusa pela cura gay até uma necessária mudança política no país. Os meios de comunicação, ao veicularem as imagens do movimento, não abrem mão de fazê-lo, contudo, por meio de um foco privilegiado nos atos de grupos extremados, que barbarizam por violência aproveitando-se claramente da situação para infligirem sobre bens e pessoas seus instintos animalescos acumulados. Diante desse quadro duplo, em que se tem de um lado a livre e pacífica manifestação, de outro a baderna selvagem dos tipos mais exaltados, o Estado faz intervir igualmente seu poder, de modo ora pacífico ora selvagem, na medida em que tentam responder aos apelos populares. Mas ao que se está tentando responder mesmo? Se o povo nas ruas parece reverberar uma insatisfação contra o próprio governo, é possível obter alguma resposta positiva de quem só realiza atos negativos? Pode o corruptor responder contra sua corrupção, ou se está aqui, com toda força, a clamar por um "novo" governo?
Desde o instante em que a movimentação popular anunciou que seu apelo "nunca foi pelos R$ 0,20", o foco da afronta se deteve, sobretudo e até onde se pode entendê-la, nos excessos de gastos e na corrupção do governo, no que a realização da atual copa das confederações é também ele um momento oportuno para reivindicar melhorias com visibilidade mundial. Neste processo, pegam carona as muitas lutas pontuais que compõem o grito final pelas ruas, e o alvoroço por melhorias tende, por sua própria dinâmica múltipla regida de um foco comum contrário ao andamento da política atual, a se opor ao governo como um todo, contra qualquer tipo de politicagem. Não é outro o sentimento que movimenta o homem comum quando declara em bom tom ser "apartidário", na tentativa mesmo desesperada de fazer política sem partido. 
Como isso não é possível - claro, nos limites da vida democrática - a voz nas ruas aos poucos deverá optar, drasticamente, por um desfecho triplo e necessário: ou sua voz se filia aos mecanismos partidários de uma vez; ou ela terá de recorrer aos "poderes" sociais paralelos à democracia, formalmente apartidários, como as religiões e as forças armadas (formalmente porque, embora haja presença de indivíduos de ambas as instituições na luta política, esta não lhes é essencial); na hipótese de não se deixar envolver por nenhum desses dois lados, o que lhe sobra é continuar a berrar pelas ruas até que lhe obriguem a se calar, ou até que ela mesma se canse de gritar. A meu ver, esta última opção seria a menos desejável em vista das possibilidades que a luta popular apresenta, e as duas que nos sobram devem ser claramente definidas de maneira a possibilitar uma escolha razoável segundo os objetivos desejados.
Há, contudo, uma quarta via, posta aqui em separado de maneira proposital: a derrubada do governo e todo o seu sistema para a instauração de um regime ditatorial. Platão não deixou de sinalizar este perigo iminente que ronda todo o governo democrático, e quer a tirania seja capitalista ou socialista, ela é o mal que assola as liberdades individuais pela liberdade de um único homem ou grupo - um mal que, gostaria muito, não parece desejável entre as bandeiras de nossas manifestações. Não desejável, porém iminente. A falta de um objetivo comum ao movimento popular é um seu pedido latente em ser cooptado por alguma liderança, e não é outra a postura que se deverá tomar daqui para frente: será preciso forjar uma unidade, ou sucumbir ao domínio de quem a tenha para oferecer, não importando os meios para isso. Enquanto este passo não for dado, a movimentação continuará a ser vista como desabafos em praça pública, que só fazem por aumentar os atos de violência de poucos aproveitadores, sem a mais mínima ideia de onde tudo isso vai dar.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

As loucuras da vovó maquiavélica



O Lula enlouqueceu! A constatação é de Arnaldo Jabour, mas bem poderia ser de qualquer espectador das últimas novidades na política brasileira. É bastante conhecido o provérbio que diz “de médico e louco, todo mundo tem um pouco”, mas a saúde debilitada do senhor excelentíssimo ex-presidente da República parece ter afetado inclusive seus neurônios. Não, isto não é ironia – a questão é que boa parte do que acontece hoje no mundo, inclusive e acima de tudo no Brasil, tem se mostrado, quando dito, constantemente acrescido de um sentimento do ridículo, próprio daquelas épocas da história humana em que os fatos não condizem mais com aquilo que se esperaria deles: antes, contradizem de tal forma nossas expectativas que só podemos, em certa medida, desacreditá-los, e no fim, devido à falta de lógica dos agentes envolvidos na situação, rir do grotesco escancarado.
É bem verdade que se pode dar boas gargalhadas ouvindo os últimos noticiários – em que se apregoa cuidados com o planeta, beirando o catastrófico, apenas para provocar à ação quem menos degrada o meio ambiente, ou seja, a sociedade civil; ou então no vislumbre, diria mesmo horripilante, de uma CPI que se constrange a si mesma toda vez que intenta investigar mais a fundo o lamaçal de corrupção que desce “cachoeira abaixo”. O mais surpreendente, no entanto, é ver o senhor Lula tecer suas redes de influência corruptora de modo tão explícito que o riso latente nos lábios do povo só pode significar uma coisa: estamos diante de uma dominação descarada do aparelho estatal por parte do PT, que não medirá esforços, nas palavras do próprio Lula, para se manter no poder, custe o que custar.
Mas seria mesmo esse o significado do riso que esboçamos ao ver o ex-presidente ao lado de Maluf, aliando-se aos mais podres da política para satisfazer sua ambição à la Maquiavel? É provável que o povo nem chegue realmente a se dar conta do que vê, e ria de tudo isso apenas porque constate aquilo que já sabia faz tempo: que só a corrupção prevalece nestas terras. Contudo, mesmo inconscientemente, o espírito tupiniquim pode diagnosticar a loucura do seu semelhante medindo-a pela sua própria: nossa falta de preocupação com a política, com o que se faz dela por aqui, espelha o sorriso que damos ao ver uma cena como esta da foto. Rimos da loucura de nossa política pela nossa própria loucura em não nos preocuparmos com a política! E o que nos sobra? – Bem, temos praias, cerveja, carnaval. E quando tudo parece meio doido lá fora, o médico que há em nós foge em direção à loucura de nos deixar levar pela vida, de churrasco em churrasco, ao som dos pagodes de quintal ou do “batidão” que, muito sagazmente, denuncia: a vovó que ficou maluca incorporou no líder do PT. Quando o senhor Lula aparecer de peruca, ninguém mais terá dúvidas: rir é o melhor remédio.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A política em berço esplêndido


Que as cachoeiras venham abaixo! A farsa está instalada: o exercício retórico dos seus atores será mais uma vez boa diversão para os aficionados em aprender a técnica da oratória. Se a CPI tem razão de ser instalada, e se ela tem mostrado, mais que denúncias de envolvimentos de parlamentares com um bicheiro, um sórdido e, diria mesmo, cotidiano esquema de corrupção, da empresa Delta junto a obras do Governo (petista ou de seus aliados, na maioria dos casos), o alvoroço da mídia sobre ela esconde uma verdade que muitos ainda não se deram conta: o Governo tem feito pouco caso dos possíveis resultados de mais uma CPI contra a corrupção. Para um partido que tenha tido a capacidade de sobreviver às denúncias grotescas do senhor Roberto Jefferson sobre o mensalão, em 2005, parece desnecessário se preocupar com eventuais alardes sobre sua veia corrupta. No fundo, é pelo mote do "rouba mas faz" que a sequência de governos petistas tem ensinado aos mais novatos que não é possível fazer política honestamente, que a corrupção é inerente aos jogos de poder, e que aquele que não se sujar não pode realizar nada de significativo para a população.
Teríamos então que perguntar - o que o Governo vem fazendo, sob o alegado mote, para o bem da população? Enquanto a CPI engatinha seus primeiros passos, a senhora Dilma aprovou junto aos bancos estatais um corte nos juros bancários, numa clara, e mesmo anunciada, ofensiva contra o sistema bancário do país. Isso é lá uma aposta e tanto para agradar o contribuinte! Mas será que agradaria igualmente sabermos que a dita empresa Delta, ameaçada pelas denúncias da Polícia Federal e agora da CPI, está em vias de ser comprada pelo grupo J&F Holding, cujo conselho consultivo é presidido pelo ex-presidente do Banco Central, o senhor Henrique Meirelles, e que é o grupo controlador do frigorífico FBS, cujo patrimônio possui um terço de investimento do BNDES? Talvez não seja tão animador pensar que é o nosso dinheiro que paga o teatro político em Brasília, e que agora arcará com as despesas de empresas falidas devido a denúncias desta mesma política paga por nós. No fim das contas, se tivéssemos ouvidos para ouvir, a voz ressonante do "rouba mas faz" teria dado origem a sua verdadeira voz: "põe na conta do povo, que tá tudo certo". O que nos impede de ouvi-la? Deve ser o barulho constante das águas descendo cachoeira abaixo.
Num futuro próximo, talvez o que nos impeça de ouvir não seja exatamente a nossa incapacidade para nos darmos conta do que acontece frente aos nossos olhos. O próximo plano político do partido do Governo, abusivamente anunciado pelo presidente do partido Rui Falcão, está em afrontar a mídia com um regime - diriam os russos e alemães, com uma boa experiência nessa área - totalitário em sua essência. Quem não desconfia que o PT só entrou na política para realizar o socialismo a qualquer custo, e quem ainda não percebeu que as experiências socialistas não foram as mais desejáveis, não poderá ouvir nem ver os próximos atos desta "Comédia de erros".

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Política, pra quê?





O que é a política? A pergunta pode soar um tanto esquisita, já que estamos no Brasil. Mas a esquisitice parece querer dizer exatamente isso - não temos nenhuma familiaridade com a política, senão com o papel vergonhoso que nossos representantes adoram representar no congresso. Por aqui, quando se fala em política se pensa em corrupção, em descaso, em safadeza, como se a imagem da política para nós fosse uma mistura diabólica de malandro da Lapa, playboy engomadinho e uma loira bem devassa. Mas talvez isso seja um sinal, não muito bom, mas um sinal de que as coisas podem ser modificadas. Bastaria que se entendesse que a política não é lá muito distante assim de nós, e que somos de igual modo malandros, playboys, devassos. Reclamar de quem então? A voz do povo é a voz de Deus, dizem as más línguas, mas talvez seja, ao contrário, a voz das profundezas mais obscuras de nossa natureza tupiniquim. Afinal, nossos representantes nos representam, e se estivéssemos assim tão insatisfeitos com a encenação deles não estaríamos inertes diante da TV ou do jornal, vendo a farsa acontecer bancada por nós. A nossa situação está deveras preocupante, mas sempre há um jeitinho, o bom jeitinho brasileiro, para saber lhe dar com a crise. A prefeitura do Rio está falida? O Estado do Rio permanece um esgoto de corrupção? Que nada! O importante é que o inverno está terminando, o verão vem chegando com tudo, e aí poderemos pedir aquela cervejinha, curtir uma praia das centenas de praias cariocas, cobiçando as loiras de plantão, com direito a fio dental e, se tiver algum dinheiro, até um beijinho. Pois é isso que importa, enfim. Nossa natureza não quer saber muito de formalidades. Deixe o terno para aqueles malandros e devassos do planalto. Fiquemos aqui pagando pra ver, literalmente, o circo pegar fogo, sonhando um dia que fosse na nossa cama...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Agora é Dilma


A queda de braços teve fim, finalmente. O horário eleitoral e os debates já estavam beirando a tortura, ao menos para quem, como eu, vê neles alguma possibilidade de conhecimento (senão acerca dos candidatos, pelo menos de como se faz uso hoje da retórica na política, para a criação propagandista de uma imagem que torne possível a venda de um produto partidário). E a já esperada surpresa de se ter como vitoriosa no pleito nacional pela primeira vez uma mulher demonstra apenas que espécie de poder se configurou em torno da personalidade do excelentíssimo senhor (ainda) presidente. A força meteórica que sua candidata alcançou em tão pouco tempo, e com o agrave de nunca ter participado de qualquer outra eleição, revela no final das contas que o barbudinho petista é a maior referência política da atualidade brasileira. Esses músculos da Dilma certamente foram gerados pelos anabolizantes populares do seu padrinho Lula.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Faltam 4 dias... pra nada...


Cada vez mais a política brasileira tem se tornado um jogo vazio de posição e oposição, sem possuir qualquer fundamento mais sólido em princípios realmente divergentes. O que diferencia PT e PSDB, grosso modo, não está mais no âmbito da essência partidária ideológica, quando as posições divergentes eram de fato diversas e antagônicas. Hoje se constata um mero ludibriar retórico das situações e dos problemas do país, sem aprofundá-los com o objetivo primordial da transformação. O trio "petista" que se candidata à presidência - é inegável a procedência vermelha tanto de Marina quanto do senhor Plínio e do seu PSOL - em muito pouco se distingue do seu arquival tucano, senão em saber como gestar o governo e quais seriam suas prioridades. No fundo, a palavra de ouro destas eleições, e se quiser das próximas que viram, é escolher entre prioridades, não mais entre valores e princípios. Estes já estão ultrapassados, é um ranso preterido aos comunistas de plantão. Mas a que se deveu tudo isso? Quem ou o que foi a causa desta crise política?
Alguém duvida dos poderes deste barbudinho pós-moderno?

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Mundo sombrio


Esse ano é ano de disputa presidencial, favorecido sempre pela bela euforia que só uma copa do mundo pode provocar numa alma como a nossa... Contudo, o que me parecerá ser mais surpreendente não é a vitória brasileira em terras africanas, mas a vitória do desconhecido em nossa própria terra. O mundo tupiniquim está mais sombrio esse ano. O que será de nós nessa decisão preparada, em que somos os próprios responsáveis pelo empate ou pela derrota? Sim, porque vitória mesmo só haverá, e se houver, em outros lugares, entre aqueles que são - quem diria! - nossos antepassados... Que os deuses e os orixás nos ajudem!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Para dispersar das preocupações...



Tudo bem - devo confessar que meu excesso de preocupação com questões políticas, se não em larga escala, ao menos aqui em terras tupiniquins, não são de modo algum uma preocupação salutar.
"Para quê? - me perguntaria algum carioca à beira-mar, sob um sol causticante de quase 45°, a admirar as belas fêmeas em Ipanema e aquelas curvas traseiras de tirar o fôlego de qualquer tentativa de pensamento - para que pensar nessas coisas? Esses políticos são tudo uma cambada de filhos da puta, não tem respeito nem por si mesmos, que dirá pelo dinheiro do povo. A gente tem é que votar nulo e aproveitar o resto do domingo na praia, porque o calor, meu amigo..."
Talvez eu ainda tentasse alguma réplica, o que de fato não seria muito difícil de fazer - mas como, ou para que afinal, se as eleições são só no ano que vem, se ainda teremos natal, ano novo, carnaval, páscoa, dia dos namorados, dias das mães, dia dos amigos, dia disso, dia daquilo... Para quê? A tal pergunta inconveniente não me deixa sossegar. Mas enfim minha alma pode sossegar tranquila; enfim não precisarei mais me ater em picuinhas tão inúteis como aquelas relativas a nossa política; enfim, os nossos políticos nos mostraram mais uma vez que quanto menos pensarmos em política, melhor - Para quem?
Eis mais uma dessas perguntas inconvenientes...

sexta-feira, 10 de julho de 2009



E se realmente a bela poupança brasileira tiver atraído a atenção de um super-potência? Que há de tão ruim nisso? Não é reconhecido o Brasil no mundo inteiro por suas belezas naturais? E se a um político de primeiro mundo interessam mais os dotes econômicos de um país emergente, onde ele se deixa levar por novos ares juvenis que despontam abaixo do Equador - O que tem de tão pecaminoso assim vislumbrar com atenção redobrada os fundos de uma nação amiga? Ah, deixemos de falso moralismo! A política é assim mesmo. A beleza não pode ser escondida como dólares na cueca. E, como mostra o vídeo que corre a net, o excelentíssimo senhor presidente dos Estados Unidos apenas se dispôs a ajudar uma compatriota sua a subir as escadas - no fundo, o pecado não é americano, mas francês! E que pecado é aquela excelentíssima primeira-dama francesa...

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Visita cordial


Se brasileiro que é brasileiro não se deixa enganar por um sorriso cordial de quem pouco ou quase nada conhece, no caso da primeira-dama francesa, parece, nos rendemos a tentação. A causa de tudo isso, há de se confessar, se encontra na beleza que a senhora linda e gostosa - com todo o respeito, claro! - Carla Bruni veio nos mostrar essa semana, enquanto o marido faz as vezes da chatice diplomática e dos acordos bilaterais entre os dois países. De fato, a agenda paralela da cantora-mais-importante-da-França corre pelas vielas cariocas - sempre cercada de poderosos deslumbrados, paparazzis pentelhos e cariocas a fim de uma olhadela na "poupança" da primeira-dama - como ela mesma fez correr de nossas bocas as salivas que se esvaem quando contemplamos tamanha graciosidade. Sem dúvidas, não podemos negar - A tal da francesa fascinou-nos a todos. O que é natural para o espírito carioca, que sempre teve os olhos voltados para as terras mais quentes da Europa! No mau sentido, veja lá...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Novo recorde de nosso guia!


Mais uma vez Lula, ou nosso guia que nos guia não sei bem pra onde, acaba de alcançar novo recorde de popularidade - 70% de aprovação, segundo o Datafolha. O que isso significa? Bem, talvez uma predisposição cultural que possuímos de imunizar a figura de um governante de todas as críticas que lhe são cabíveis. Ou talvez seja apenas um brilhante resultado do marketing pessoal, que atrela carisma a discursos futebolísticos e de cunho familiar, quando para ele a crise mundial não passará de uma "marolinha" em terras tupiniquins. Oxalá esteja nosso guia nos guiando para um futuro em mares navegáveis - ou naufragaremos todos!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Victory of the difference

How could think about this possibility?
The hope returns - thanks to Bush!

sábado, 1 de novembro de 2008

Obama neles!



O Rio de Janeiro está dividido: de um lado a cultura, de outro as UPAs; de um lado o democrata, de outro o republicano; de um lado o humano, do outro o animalesco. Mas há espaços indecisos, há aqueles que se abstiveram. Volta novamente a paixão pelo pleito - Será que também há salvação acima do Equador?

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Momento fugaz, que anseia ser perene


















O que vou dizer de fato não é nenhuma novidade - mais uma vez o populismo e a máquina do governo levaram mais uma eleição. O problema, contudo, é que isto se deveu em grande parte à estratégia política, executada pelo Governo Estadual em parceria com a União, de levar para bem longe uma parcela significativa dos cidadãos cariocas. Sim, me refiro a brilhante jogada de adiantar o feriado do servidor público destas duas esferas, de terça para segunda, emendando aqueles tão queridos e louvados "feriadões" pelo qual espera ansioso todo justo trabalhador [incluindo-me entre esses, claro]. O problema é que esse "feriadão" poderia comprometer o futuro de toda a cidade do Rio nos próximos quatro anos - E não é que comprometeu? Pois está aí, meus queridos - Há algum? - leitores: elegemos o "nosso" prefeito e pagaremos a pena por isso. Mas como: elegemos, nosso? Longe de mim! O problema é que, mesmo não fazendo parte da terrível massa que votou pela Paes, e o que é mais impressionante, não tendo fugido do meu dever cívico para alguma das incontáveis praias deste litoral abençoado, pagarei juntamente com todos por essa omissão, por esse descaso com a cidade e com seu futuro, cidade que possuía uma oportunidade histórica de tomar novo rumo e alcançar melhores ares... mas preferiram Paes... Se pudéssemos responsabilizar os culpados, condená-los! Mas quem? Os justos trabalhadores da máquina do governo, que preferiram o sol e as ondas a se imiscuírem em mais um pleito sem sentido? A massa votante que pelas ruas, pelos santinhos espalhados pela cidade, pelos cartazes dependurados nas janelas e nos carros, bradavam em alto e bom som a vontade de terminarem tudo em Paes? A nós que exercemos nosso dever de cidadãos e comprometidos com o futuro da cidade optamos pela cultura e não pelo populismo? De quem é a culpa? Parece-me que o verdadeiro culpado de tudo isso - e não posso resistir em dizer, porque esse demônio que se pôs ao meu lado não para de me perturbar com essas palavras! - Sim, me parece que o verdadeiro culpado, aquele que deve ser responsabilizado por todo o descaso e atraso e fracasso de uma cidade gloriosa, é ele, senão outro - Certamente devemos culpar este que ainda é o "nosso" prefeito: mais uma vez devemos culpá-lo, Cesar Maia! É sua a culpa por não ter também aderido a esta manobra política de adiantar o feriado, obrigando seus pobres e vitimados servidores municipais a comparecerem às urnas e decidirem pelo futuro sozinhos. Sim, o demônio tem razão - Cesar Maia é o culpado, o único e ninguém mais! Viva os cidadãos maravilhosos da cidade maravilhosa! (sic)

domingo, 26 de outubro de 2008

Um protesto - ou uma lição!









Eleitor faz protesto na hora do voto, em Pelotas (RS)