Por que estas pulsões ocêanicas?

Pois é verdade que se eu não havia sequer pensado sobre uma metáfora que ilustrasse com precisão poética e elegância filosófica - sim, com precisão poética e elegância filosófica! - aquilo que encontro frente ao espelho, este reflexo que se produz em minha consciência: ao pensar na força do mar, no impacto voraz das ondas sobre as rochas, no ímpeto por vezes desmedido e incontido de uma pulsão marítima, oceânica, encontro nessa visão a pintura natural de minha própria natureza. E talvez só me falte descobrir onde o pintor escondeu seus pincéis... Mas para quê? Não há em tudo isso significativa - perfeição?

***

A poesia é a capacidade de condensar em belos versos a riqueza experiencial de nossas impressões. Ela é a mais elevada forma de arte literária - na verdade, literatura só é arte se participa intrinsecamente da poesia.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

A verdade de Helena


A força do lógos que a tudo domina
mina inclusive a responsabilidade
da alma, que entretida com a fugacidade
se esconde da verdade e a elimina

no seu lugar de residência, habitação
ordenada pelo amor que lhe devota:
por certo, o peso em decidir embota

aquela natureza desregrada
não por outros, mas por si enganada -
de certa forma, Górgias tem razão.

Nenhum comentário: