Por que estas pulsões ocêanicas?

Pois é verdade que se eu não havia sequer pensado sobre uma metáfora que ilustrasse com precisão poética e elegância filosófica - sim, com precisão poética e elegância filosófica! - aquilo que encontro frente ao espelho, este reflexo que se produz em minha consciência: ao pensar na força do mar, no impacto voraz das ondas sobre as rochas, no ímpeto por vezes desmedido e incontido de uma pulsão marítima, oceânica, encontro nessa visão a pintura natural de minha própria natureza. E talvez só me falte descobrir onde o pintor escondeu seus pincéis... Mas para quê? Não há em tudo isso significativa - perfeição?

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A poesia é a capacidade de condensar em belos versos a riqueza experiencial de nossas impressões. Ela é a mais elevada forma de arte literária - na verdade, literatura só é arte se participa intrinsecamente da poesia.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Gritos ecoando... I



O desespero que toma de assalto a alma do homem moderno é o sentimento que decorre daquela constatação fatal do resultado de sua ambição pelo conhecimento - ao final de seu percurso em busca da verdade o homem nada encontra de verdadeiro, e se angustia, se desespera, mergulhando no mais profundo niilismo, e ali nem Deus poderá salvá-lo: ele se afundou em sua mais completa impossibilidade de saber, e vilipendiado pela ânsia que sente de encontrar a verdade, destruiu todas as possibilidades de possuir um sentido para a sua vida. O homem desesperado impôs-se a angústia de ter assassinado Deus. A "morte de Deus" é o início da queda do homem. Podemos viver neste desespero constante?
A resposta é a solução para o enigma - mas quem a conhecerá? Melhor - quem a suportará?
Pintura - O grito, by Edvard Munch

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